(Q)uando (V)amos (T)ratar?

Já pararam para pensar que grande parte das pessoas trabalharam a maior parte de suas vidas? Quem nunca ouviu a famosa frase “O trabalho dignifica o homem”? Mas vocês já pararam para pensar se o seu trabalho melhora sua qualidade de vida? Nesse post vamos falar um pouco mais sobre a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT).

A preocupação sobre QVT existe desde muito tempo, mas é com a Revolução Industrial que os estudos sobre esse tema começam a se intensificar. No ambiente fabril, a alta produtividade torna-se essencial para o sucesso das organizações. Influenciados pela Escola de Relações Humanas, estudiosos passam então a relacionar o trabalho com alterações sociais e psicológicas e o desenvolvimento de doenças por parte dos empregados. Os pesquisadores passam, então, a buscar alternativas para que o trabalho seja considerado mais prazeroso e menos árduo para os indivíduos.

O ser humano despeja grande parte de sua energia no trabalho, fazendo com que este se torne parte intrínseca e objeto de construção de sua identidade. Sendo assim, nada mais justo do que o indivíduo se sentir bem trabalhando. Em estudos sobre o bem-estar no ambiente de trabalho, Walton considera oito fatores essenciais para a manutenção da qualidade de vida do trabalhador:

  • compensação justa e adequada;
  • condições de trabalho seguras e saudáveis;
  • oportunidades de desenvolvimento da capacidade humana;
  • oportunidades de crescimento e garantia do emprego;
  • integração social;
  • constitucionalismo;
  • trabalho e vida;
  • relevância social no trabalho.

Já o modelo de Hackman e Oldham reduz o número de fatores em cinco, são eles:

  • variedade da tarefa;
  • identidade da tarefa;
  • significância da tarefa;
  • autonomia;
  • feedback.

Observando todos esses fatores listados, fica claro que a Qualidade de Vida no Trabalho está intimamente ligada às organizações, mas não se baseia somente a ela. É necessário considerar os fatores de fora da organização, como a relação entre os indivíduos e familiares, lazer, saúde, etc.

No modelo capitalista de negócios, para alcançar os resultados esperados as empresas são capazes de submeter seus empregados a situações de extremo estresse e fadiga. Além disso, dentro da cultura organizacional nos deparamos com excesso de autoridade, tratamento diferenciado, discriminação, assédio, racismo, injustiça, ameaças. Somando esses motivos, alguns podem atingir uma exaustão emocional a ponto de desenvolver doenças como a depressão, síndrome do pânico, síndrome de Burnout cada vez mais comuns.

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(Fonte: Vida de Qualidade)

Baseando-se nesse tema, realizamos entrevistas com 3 mulheres de diferentes idades, que estão estudando e trabalhando, sobre o que elas consideram que influencia na qualidade de vida delas.

Juliana tem 19, cursa Administração na PUC-Minas, faz estágio em uma empresa pública na área de RH e no futuro pretende passar em um concurso. Se diz satisfeita com a função que exerce dentro da companhia, se sente reconhecida e descreve sua relação com os colegas de trabalho como ótima. Para ela, qualidade de vida significa ter um bom ambiente familiar, de trabalho, segurança e renda disponível para lazer e obrigações. No ambiente de trabalho, ela avalia que a qualidade de vida está intimamente relacionada a um ambiente agradável, com boa estrutura e uma boa relação com os colegas.

Já Joana tem 24 anos, cursa Direito na faculdade Dom Helder e realiza estágio em um escritório de advocacia. Gosta da função que exerce e no futuro pretende ser delegada federal. Não se sente tão reconhecida na empresa mas descreve sua relação com seus colegas como ótima. Considera que o ambiente de trabalho é bem tranquilo e favorece a sua qualidade de vida. Para ela, qualidade de vida está pautada em ter dinheiro para comprar as coisas essenciais da vida.

Gabriela tem 20 anos, estuda Pedagogia na UFMG e faz estágio em uma escola para crianças de até 5 anos. Gosta muito da função que exerce e pretende continuar na mesma área de atuação. No futuro pretende trabalhar com diferentes segmentos dentro da psicologia. Sente-se reconhecida e tem uma relação muito boa com seus colegas de trabalho. Para ela, qualidade de vida é estar bem em relação a vida profissional e emocional. QVT é trabalhar em um ambiente agradável e gostar da função exercida.

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(Fonte: Cinema em Cena)

Em contrapartida, Cristiane, 26 anos, que trabalha como auxiliar de limpeza em uma escola pública, não tem tempo de lazer, de estar com a família ou de descanso, mesmo sem ter de conciliar o trabalho com o estudo. Ela não conseguiu fazer um curso superior, porque com 16 anos teve que começar a trabalhar a fim de ajudar no sustento de casa. Cristiane afirma, com lágrimas nos olhos que não resta tempo nem mesmo para cuidar de sua filha, que fica aos cuidados da avó, gerando atrito no ambiente familiar, uma vez que sua mãe joga em sua cara que ela não consegue cuidar da filha.

Além de todos esses obstáculos, ela não gosta da função que exerce, mas com a crise econômica foi a única ocupação que conseguiu. Tem o sonho de fazer um curso de segurança para tentar conseguir outro emprego, entretanto não tem condições de pagar pelo estudo ou largar o atual cargo. Segundo ela, seu supervisor não é presente e durante a noite seu trabalho é dobrado, e não é devidamente remunerada por isso. Chega a cuidar de 16 salas e banheiros por dia. Ainda de acordo com ela, sua qualidade de vida é péssima, pois fica sobrecarregada com o acúmulo de funções que é acentuada pela bagunça dos alunos nas salas de aula. Assim, seu nível de estresse é altíssimo impactando sua saúde, já que ela toma remédio de ansiedade diariamente.

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(Fonte: Outbound Marketing)

Cristiane conclui a entrevista relatando que qualidade de vida para ela seria conseguir um bom emprego, como o de segurança, ganhar um salário razoável para sustentar sua filha e seus sonhos e se especializar em alguma área.

De acordo com os depoimentos, a qualidade de vida no trabalho vai variar conforme o contexto, a lógica do ambiente de trabalho, a cultura organizacional, os valores de cada indivíduo e a forma com que cada um lida com as várias situações que enfrenta trabalhando. Quando Vamos Tratar sobre esse assunto dentro das organizações? 

 

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