Cultura Organizacional e Saúde Psicológica

O post de hoje vem tratar de um assunto super importante, que nem sempre é considerado pelas diretorias das empresas como prioridade de tratamento.

Qualquer pessoa que tenha experiência profissional em no mínimo duas empresas percebe a diferença na interação entre os empregados de cada uma delas, na postura das pessoas dentro da empresa e na natureza e rigorosidade de aplicação das normas internas. Esse conjunto de características, tão diferentes em cada organização é chamado, quando vistos em conjunto, de cultura, e dão origem ao clima organizacional.

Na cidade contemporânea o trabalho quase sempre vem pré-determinado e a partir do momento em que se é contratado, você está inserido na cultura da organização criada pelo fundador e seus participantes. Para Chiavenato cultura organizacional é o “conjunto de hábitos e crenças, estabelecidos através de normas, valores, atitudes e expectativas compartilhadas por todos os membros da organização.”

É meio obvio concluir que o clima e a cultura de trabalho são fatores influentes e determinantes na vida pessoal e emocional das pessoas, ao pensarmos que: um dia contem 24 horas, é saudável que 8 delas sejam dedicadas ao sono , sobrando 16h.Em geral 10h são, ainda,  despendidas pelos funcionários, de segunda a sexta dentro das empresas, sobrando apenas 6h para dividir entre deslocamento casa-trabalho e trabalho-casa, lazer, e atividades necessárias do dia a dia, como atividade física, supermercado, etc.

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(Fonte: G1)

Diante de tudo isso, a conclusão é que a maior parte do dia-a-dia de uma pessoa é despendida dentro da empresa onde trabalha e, portanto, um ambiente respeitoso, limpo (em termos de higiene) e interativo é extremamente importante e se faz necessário não só na manutenção da saúde dos funcionários de uma empresa, como na diminuição do nível de rotatividade dessa organização.

Isso ocorre, porque a deficiência desses fatores no ambiente de trabalho leva à insatisfação e no consequente aumento dos desligamentos voluntários. Porém, o grande problema envolvido em não se considerar esse tipo de condição na gestão de uma empresa é que, muitas pessoas se veem presas a aquela situação, como se não tivessem escolha e para muitos, que têm família, contas e responsabilidades, a demissão não é uma opção. Os funcionários que se enxergam nessa situação, associadas a deficiente administração e a insalubridade emocional do ambiente de trabalho, estão sujeitos a doenças psicológicas expressivas como a depressão (que é só um exemplo diante de muitos outros) e até eventos mais graves como o suicídio e a Síndrome de Burnout.

Um estudo da Right Management, que foi feito com 325 empregadores dos EUA, revela que 67% das pessoas gastam mais tempo no trabalho, em comparação a 2008, desde quando iniciou a crise econômica global. Diante desse fato podemos ver que as pessoas passam a maior parte do tempo em seu local de trabalho e por isso a cultura da empresa é tão importante para a construção social do individuo.

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(Fonte: Giphy)

Tratando das consequências negativas de uma cultura organizacional insalubre, temos como algumas das causas de doenças psicológicas graves e de fenômenos como o suicídio: o assedio moral, que consiste na pratica de ações que expõe os colaboradores a situações humilhantes, a pressões psicológicas em virtude de metas inatingíveis, inflexibilidade e insensibilidade em relação às necessidades e problemas pessoais do funcionário, protecionismo e favoritismo, entre outras situações que causam desconforto no funcionário em relação ao ambiente de trabalho; a coação psicológica, que é a ação de exercer pressão ou intimidar o indivíduo a fim de forçá-lo a realizar ato que não deseje; e a violência emocional que configura comportamentos recorrentes de isolamento, manipulação e ações na intenção de prejuízo e exclusão do indivíduo no seu oficio.

Cristina tem 41 anos e trabalhou em uma empresa no ramo alimentício durante 20 anos. Ela pediu demissão pois seu chefe constantemente ridicularizava os seus colegas de trabalho que não batiam metas. Com medo de ser ridicularizada, ela desenvolveu uma constante auto cobrança que a desgastava profundamente, e começou afetar até o seu lado pessoal.

Mobbing significa ‘tratar mal’, e é um fenômeno utilizado para classificar situações de assédio moral, coação psicológica e violência emocional, que acontecem no local de trabalho e em muitos casos desenvolvem o Burnout. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), os transtornos psicológicos são alguns dos fatores que mais afastam profissionais de suas atividades. Somente entre 2012 e 2016, por exemplo, foram registrados 28 mil casos de trabalhadores licenciados devido a esse problema, transtorno de ansiedade ou depressão.

Sendo assim, vemos que são recorrentes os casos de abuso no ambiente de trabalho, e, portanto, como líderes, devemos levar em consideração esses fatores quando estivermos não só em posições de gestão como também com nossos equivalentes.

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